

Profª Vera Dias
REFLEXÕES DE UMA PROFESSORA SOBRE
O ATUAL ESTADO DA EDUCAÇÃO NESSES TEMPOS DE PANDEMIA
Não resta a menor dúvida que a crise do coronavírus terá efeitos perenes sobre nossa forma de aprender. Já é patente que o isolamento está criando novos hábitos e comportamentos, tanto nas famílias, quanto nas instituições de ensino, que estão revendo uma série de processos, estruturas e metodologias.
Estamos todos aprendemos que lidar com a imprevisibilidade e isso está exigindo um trabalho em grupo muito mais alinhado e que, mesmo distantes, podemos unir esforços em prol de um bem maior. Um exemplo? Nunca antes tinha visto tantos professores, de uma mesma disciplina e ano escolar, unidos no mundo digital para compartilhar atividades, experiências bem-sucedidas, tirar dúvidas e aprender uns com os outros. Eu mesma passo a maior parte do tempo trocando ideias e dicas com diversos colegas quase o dia inteiro.
Penso que toda crise é uma oportunidade de aprendermos algo novo e a única coisa que eu tenho certeza é que o mundo vai ser diferente depois do coronavírus. As crises ensinam aos que estão abertos ao novo. Espero, sinceramente, que depois dessa pandemia a educação volte melhor e mais forte. E que todos esses efeitos sejam irreversíveis.
Muitos professores, amigos meus, verdadeiros craques nas aulas presenciais, já estão vendo que esse é um caminho sem volta. Alguns já estão correndo atrás e, ironia das ironias, se matriculando em cursos online para aprender a lidar bem com o novo panorama.
Outro dia, um professor amigo, comentou comigo em como estava difícil e penoso para ele ter que se habituar a verificar uma série de fatores que antes não se preocupava : avisar aos filhos que não o interrompessem durante a live, pedir à mulher que se controlasse e não gritasse lá da cozinha que o microfone captava tudo, ter que se preocupar se o som do seu próprio microfone não estava passando eco , ver se a luminosidade da sala onde estava seu micro estava ótima e o ambiente não estaria muito escuro e se os alunos estavam vendo ele bem enquadrado...mas o pior, ele me confidenciou, era não ter certeza de que seus alunos estavam compreendendo bem o que ele dizia. E declarou :
— Antes bastava eu olhar na cara do meu aluno na sala de aula que já sentia e tinha certeza que ele estava me compreendendo. Agora na tela do meu monitor ele pode desligar o video e eu não vejo a reação dele. E nem sei se de fato, mesmo enxergando ele na minha tela, tem momentos que fico na dúvida se estou sendo bem compreendido ! Mas o pior talvez nem seja isso : os materiais que tenho de passar para meus alunos não podem mais estar naquela pasta de xerox que antes eu colocava no stand da xerox lá na universidade e avisava pra todo mundo ir pegar e ler. Agora tenho que me preocupar em enviar isso em formato digital para os e-mails dele e nem sei transformar ainda os documentos em word em um PDF decente !
E outro professor ainda reclamou me pedindo dicas :
— Professora, estou aqui numa sinuca de bico. Não entendo nada dessa de gravação de lives. Com a pandemia, até meu técnico não pode vir aqui em casa e alegou que tem feito muito serviço de conserto de micros e expansão de memória para que os clientes dele possam gravar lives. Eu me enrolo todo e a universidade não tem me fornecido ajuda nesse sentido. Como então vou fazer uma live decente se não entendo nada de aplicativo ? Só sei tirar selfies e filmar no celular e tive até que recorrer ao meu filho que manja disso melhor do que eu. E olha que ele tem apenas dez anos. Sinto-me um peixe fora dágua !
Pois é, amigos. Está muito difícil. E com esse andar da carruagem com a vacina demorando dessa forma, começo a achar que só teremos a famosa imunidade de rebanho lá pelo fim do ano mesmo ! Com esse presidente boçal e um ministro da saúde ainda mais incompetente e já está provado, não sei quanto tempo meus colegas aguentarão essa sofrência. Tenho feito das tripas coração pra ajudar todo mundo, mas confesso, tem horas que desamino ! Não porque creia que eles sejam incapazes de aprender, mas eu tenho hoje dez professores que ajudo e o Brasil tem milhões de professores que não contam com ajuda de ninguém . Sem um coleguinha expert pra poder até incentivá-lo a aprender. E o que é pior, sem suporte algum de uma esquipe de governo ou da Secretaria de Educação !
Socorro !! Já estamos perdendo o bonde da História e agora perdemos o bonde da educação . Logo, logo sairão manchetes com dados e pesquisas de especialistas falando o quanto a educação já se perdeu, evasão escolar gigantesca sem falar em pesquisas com bolsa e verbas cortadas. TEMPESTADE PERFEITA, não ?
Precisamos agora pensar em uma estratégia de mitigação de danos para diminuir o aumento da desigualdade educacional, especialmente no caso, da educação publica. Já está claro que muito poucos hoje estão se beneficiando do ensino online. Os mais abastados é que ganharam com isso.
O bem-estar dos profissionais e dos alunos, não resta dúvida, foi muito mexido nesse período. A acolhida tem de ser inicialmente dos professores e outros profissionais da educação. Dessa vez, a gente vai precisar ter acolhimento até dos jovens do ensino médio e dos professores para que eles possam colocar para fora os medos, as ansiedades... Muitas coisas aconteceram nesse período de um ano, como a eventual perda de um ente querido. Lembro que morreram muitos professores pelo Brasil afora de covid. Eu mesma já sei de doze casos de professores que eu conheci. Tem muita coisa para ser olhada com atenção, com amor, antes de começarem de novo as aulas propriamente ditas.
A verdade é uma só : NADA SE fará de bom sem uma vacinação em massa eficiente. Isso devia ser a prioridade número um agora. E o que vemos ??? Até casos de fura-filas, joguete político, notícias de vacinações fake...Tristes tempos !!!

A pandemia obrigou o mundo a se reinventar. No setor da educação, unidades de ensino públicas e privadas foram fechadas e o calendário e a rotina dessas instituições, alterados.
Pais e professores, de modo geral, precisaram rever seus papéis e desenvolver habilidades, adaptando-se a novas rotinas dentro de casa: trabalho, estudo, lazer e descanso no mesmo ambiente e com as mesmas ferramentas, televisão, computador e celular. Uma adaptação forçada e nem sempre executada com sucesso. Exigem-se dos pais características de mestres; exigem-se dos mestres caraterísticas de youtubers; e exige-se da criança ou adolescente o aprendizado.
A vida, incluindo aí a educação, vai mudar”. “É uma transformação forçada e até determinado ponto, acredito, positiva, pois vínhamos havia muito tempo usando as mesmas ferramentas. Precisamos pensar em novas formas de ensino, de aprendizagem, e a pandemia nos forçou a promover a modificação, promover a transformação da própria educação.
O que há alguns anos já se mostrava como uma tendência, em pouco tempo, revelou-se uma necessidade. Do dia para a noite, com o fechamento físico das instituições de ensino em função da pandemia do novo coronavírus, professores, escolas e universidades em todo o Brasil impuseram-se o desafio de dar continuidade ao processo de ensino-aprendizagem por meio de plataformas digitais. Mais do que gravar aulas em vídeo, os educadores foram instigados a manter o vínculo com seus alunos e promover, ao máximo, a interação social.
Para um país como o nosso, de extensão territorial continental e de uma diversidade cultural e social igualmente grandiosas, há várias questões que tornam o debate em torno do tema complexo. Além da infraestrutura, o acesso às ferramentas tecnológicas pelos professores e pelos estudantes são questões extremamente desafiadoras. Mas há várias tendências que podem ser destacadas e que poderão contribuir para o desenvolvimento futuro da educação e da ciência no Brasil.
Apesar de todo o suporte, a enorme diversidade de realidades educacionais, sociais e econômicas dentro do Estado é, por si só, um grande desafio mesmo em períodos não emergenciais. A pandemia trouxe um cenário ainda mais desafiador e que precisa ser compreendido de maneira aprofundada, a fim de gerar novos conhecimentos e mapear possibilidades de ações para o presente e para o futuro.
O futuro já começou e nos exige uma abertura muito grande para a inovação e a mudança. Estamos todos convidados a inaugurar uma nova era. Mesmo em meio a tanta tecnologia, não podemos esquecer da nossa condição humana – somos pessoas, com necessidades e dificuldades.
Foi pensando em todas as dificuldades que estams enfrentando que criei essa página para colocar à disposição de todos uma literatura rica que possibilitasse a reflexão e a busca de soluções para os desafios que estamos enfrentando. Aqui pretendo reunir ebooks e artigos que ajudem meus colegas professores a encontrar o melhor caminho para aperfeiçoar sua práxis pedagógica em tempos pandêmicos.
Fala-se muito em educação online hoje em dia. mas minha gente, cuidado ! Nada substitui até hoje um bom professor. Como bem disse Obama, por mais sofisticada que seja a aparelhagem ao nosso redor, se não tivermos um bom guia isso tudo será uma parafernália sem sentido e não conduirá a lugar nenhum !
E esse livro magistral de autoria de Taylor Mali explica isso muito bem. (clique aqui para baixar !)

Neste livro, Mali conta histórias divertidas e tocantes de sua experiência no ensino fundamental, dando ótimos exemplos de como um bom professor pode influenciar positivamente a vida de seus alunos e incentivá-los a dar o máximo de si.
Ele mostra que, em qualquer matéria, as lições que não podem deixar de ser ensinadas são aplicação, empenho, cooperação, flexibilidade, superação, reflexão crítica e capacidade de resolver problemas – habilidades fundamentais no dia a dia de todas as pessoas.
E defende que o verdadeiro papel do professor é estimular o desenvolvimento de indivíduos que gostem de aprender coisas novas, sejam naturalmente curiosos, confiantes e flexíveis e estejam prontos para qualquer desafio que encontrem pela frente.
Então vamos começar a ler , analisar, refletir sobre os novos desafios que nos aguardam ? Educação é um processo e não podemos perder tempo. As escolas e os professores de agora em diante necessitam usar de muita criatividade para inovar e manter o vínculo com seus estudantes. Esse caminho é irreversível e aponta para o uso de vários meios para que o aprendizado aconteça – aplicativos, jogos, softwares e, claro, os encontros presenciais. Fundamentais para promover a troca de experiências e a discussão dos exercícios práticos o contato do professor com o aluno não deixará de existir – ao contrário, será fortalecido.
No cenário pós-pandemia, a implementação de estratégias didáticas inovadoras vão exigir a criação de espaços multidisciplinares e uso de tecnologias como realidade virtual, realidade aumentada, câmeras 360° e softwares para desenvolvimento de projetos colaborativos. São muitas as opções e, até, o uso de games deverá ser estimulado.
Espero que as obras aqui citadas possam contribuir para que todos encontrem o caminho para um ensino eficiente nesse novo e desafiador cenário !
BOA LEITURA A TODOS !

















