

Profª Vera Dias
Não resta dúvida de que a literatura pode ser uma boa ferramenta para o enfrentamento da pandemia da Covid-19, contudo, realizamos aqui um levantamento de coisas ruins que acontecerão e estão acontecendo para a literatura em todos os cantos do planeta em decorrência dos reflexos da crise. E isso vem se constatando mais agudamente aqui no Brasil. Vamos examinar cada uma delas :
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1 - Dificuldade de circulação e envio dos livros: Bibliotecas fechadas, algumas editoras com dificuldade de enviar livros para as livrarias, as livrarias já fechadas, todos esses fatores derrubaram as vendas de livros;
Solução : Não existe até agora solução a curto prazo. Alguns donos de livrarias estão tendo que se reinventar para sobreviver, transformando a forma como oferecem seu produto. Provavelmente surgirá uma nova forma de marketing ou oferta de livros.
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2 - Agravamento de um setor em crise: O mercado editorial vinha de uma série de dificuldades, e este é um mercado que diferentemente de bancos e companhias aéreas, o governo não se interessa proteger. A crise do covid-19 no mundo dos livros é ainda mais voraz;
Solução : Vejam aqui algumas reportagens interessantes sobre isso .
2.1 - Livrarias se reinventam e estão conseguindo driblar a crise ;
2.2 - Livraria se reinventa para enfrentar a crise no ramo;
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3 - Explosão de obras ambientadas ou sobre a Covid-19: Não tenham dúvidas que as plataformas digitais ficarão entupidas de coisas ruins escritas sobre a pandemia, sobre os acontecimentos. Creio que até já começou. Vai ser um horror de gente tentando vender sobre a crise. Tomara que um ou dois se escapem no meio disso tudo;
Solução : Já estamos assistindo isso acontecer. Mas ao mesmo tempo, observo um crescente aumento na venda de livros em todo o mundo (vide clicando no link da reportagem darevista digital NEXUS (https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/04/14/Como-est%C3%A1-a-procura-por-livros-durante-a-quarentena). Aqui no Brasil, no entanto, houve uma queda na venda de livros em decorrência direta da pandemia.
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4 - Necessidade de ler digitalmente: Para leitores como este, que não gostam assim tanto das leituras em aplicativos digitais, esse vai ser um grande problema do período. Livros são afetivos, e por mais que alguns ,poucos é verdade, ainda insistam, a leitura de e-book não é a mesma experiência;
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5 - Ter de aturar lives de músicas e de outras atividades culturais: Enquanto poucos escritores têm se dedicado a alguma ação neste sentido (isto é, de divulgar lives de seus livros). Além disso, é tanta live que muitos podem não achar tempo para a leitura;
Observação : O que mais tem proliferado são lives de shows de artistas. O mais recente aconteceu dia 07/08/2020, que foi o Show do Caetano Veloso e de seus filhos. E, surpreendentemente, ouvi de um ex-aluno nesse dia uma observação curiosa . Ele me declarou que estava atrasado nas leituras das obras que seus professores de cursos Ead passaram pois os mesmos professores também abriram diferentes salas de discussão ofertando outros cursos e leituras e ele recebia uma enxurrada de convites para participar e assistir. Está havendo uma excessiva oferta de lives de no no mínimo 20 minutos e de no máximo duas horas de duração e, se o aluno se dedicar a cada uma delas, digamos que ele assista três lives por dia, gastará em média cinco horas por dia ! Restará, de fato, bem pouco tempo para a leitura ! Saber dosar isso está sendo um desafio para todos tanto professores quanto para alunos.
Uma interessante reportagem sobre as consqueências do excesso de lives pode ser encontrada CLICANDO AQUI !
6 - Atrapalhar concentração e foco de leitura: Não sei vocês, mas tem sido difícil encontrar foco e concentração para leituras. No meu caso, o ritmo está mais lento, em parte porque á o sugar da web, as informações, os debates;
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7 - Dificuldade maior para autores independentes: Grandes livrarias e sites tem conseguido enviar livros, em contrapartida, com a mobilidade restrita e com as restrições nos próprios correios sobre envio de livros, autores independentes ficam praticamente impossibilitados de vender seus livros;
Solução : Autores independentes estão se reinventando e até criando sites e blogs (eles contratam profissionais como eu que estão acostumados a fazer isso) para montarem plataformas de vendas de seus livros em formato de ebook. Alguns tem obtido relativo sucesso assim e o sistema de pagamento é feito por PayPal ou outras formas de uso de pagamento digital. Atualmente há várias formas seguras de pagamento digital e um especialista pode oferecer um leque de opções de acordo com a possibilidade dos seus clientes. É um nicho que está crescendo muito agora no país ;
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8 - Concentração temática: Pela força que a crise nos atingiu, um dos riscos é justamente que grande parte das obras que estão sendo escritas ou serão recentemente serão atravessadas pela covid-19;
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9 - Afugentar leitores dos temas difíceis: Um movimento comum tem sido a preferência por uma leitura mais voltada ao entretenimento, o que acaba nos afastando das leituras dos temas mais difíceis, a alma da literatura;
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10 - A morte de autores, leitores: E, claro, o risco de perder grandes autores para a pandemia. No Chile, Luis Sepúlveda faleceu pelo coronavírus. Por mais que nos cuidemos, a crise tem sido feroz. Aqui também tivemos nosso quinhão de perdas, algumas ainda bastante sentidas como a do escritor considerado um dos maiores contistas brasileiros , Sérgio Sant´anna, (a quem fiz um site em homenagem — CLIQUE AQUI PARA ACESSAR ), dos autores pelo impacto imediato na literatura, mas deixo claro, dos leitores que se foram (entre as 100.000 vidas ceifadas até o presente momento em que confecciono essa página) , e de todas as outras pessoas. Estamos entre aqueles que consideram todas essas vidas, mesmo que fosse uma só, uma grande tragédia.
