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QUARENTENA

Primeiro livro brasileiro sobre a pandemia de Covid-19, também um dos primeiros em língua portuguesa. “Quarentena: reflexões sobre a pandemia e depois” é uma coletânea de artigos organizada pelos professores Anjuli Tostes e Hugo Melo Filho. O livro conta textos de pensadores e personalidades como Noam Chomsky, Slavoj Žižek, o nobel de economia (2001) Joseph Stiglitz, Boaventura de Sousa Santos, Jeffrey Sachs, Michael Löwy, Ciro Gomes, Flávio Dino, Vladimir Safatle, Eduardo Moreira, Marcio Pochmann, Ladislau Dowbor, Tarso Genro, Luiz Belluzzo, Ricardo Antunes, entre outros, além de artigos dos próprios organizadores. A maior parte dos artigos é inédita, e foi escrita exclusivamente para o livro. O impacto da crise do novo coronavírus é analisado a partir de olhares de diversos campos, como a economia, a filosofia, a sociologia, o direito, as relações internacionais e a política.

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JANELAS DA PANDEMIA

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Este livro contém uma serie de artigos e reportagens escritas por itelectuais brasileiros como forma de reagir à crise do crononavírus.

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Coleção 2020 foi criada e produzida durante a pandemia de Covid-19. Reúne autores e autoras que se dedicaram a refletir e a provocar o pensamento em livros breves, atuais e contundentes. -- A pandemia da covid-19 trouxe consequências inéditas para a economia global. Ao contrário das crises de 1929 e 2008, o colapso econômico de 2020 não é uma crise originada no setor financeiro, mas consequência do contágio da economia real por uma crise de saúde pública. Em meio a queda histórica do PIB mundial, o debate econômico foi chacoalhado como em poucas ocasiões. Temas e questionamentos ao modo como o sistema capitalista tem sido administrado, presentes no debate desde a crise financeira global de 2008-2009, ganharam concretude trágica. No Brasil, a pandemia se abateu sobre uma economia que mal havia se recuperado da recessão de 2015-16. Pior. Enquanto os mais pobres ainda sofriam queda em seus rendimentos, o meio e o topo da pirâmide recuperavam-se lentamente. Medidas fiscais substantivas foram adotadas. Mas a resposta à crise não exige apenas relaxar regras orçamentárias, e sim repensar o próprio papel do Estado para superar carências históricas que a pandemia tornou cristalinas. É o que faz este livro. À luz do contexto brasileiro, apresenta cinco funções do Estado que a pandemia ajudou a revelar. São elas: estabilizador da economia, investidor em infraestrutura física e social, protetor dos mais vulneráveis, provedor de serviços à população e, por fim, empreendedor. Com a firmeza, a clareza e a densidade que são marcas registradas de Laura Carvalho, Curto-circuito: O vírus e a volta do Estado mergulham em cada face do problema não apenas para refletir sobre a pandemia, mas também para iluminar, de forma sóbria e generosa, conceitos decisivos do pensamento econômico.

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A gruta Kitum, no Quénia, foi escavada ao longo de séculos por manadas de elefantes, que ali procuravam sombra e minerais. Gigantesca, guarda nas suas entranhas uma floresta petrificada, e é o habitat natural de insectos, morcegos e um dos vírus mais letais do mundo. Ninguém sabe o que terá levado Charles Monet, um francês discreto, a visitá-la num belo dia de 1980, na companhia da namorada. Charles era um naturalista, amante de pássaros e animais. E na gruta, levado pela curiosidade, mexeu onde não devia. Infetado pelo vírus do Ébola, foi o primeiro caso a ser conhecido no Ocidente. E alertou o mundo para uma das mais perigosas e letais ameaças à sobrevivência do ser humano.
"Zona Crítica" é a história real da descoberta do vírus do Ébola e das suas variantes. E é uma história de terror absoluto, narrada ao ritmo de um thriller. Richard Preston, jornalista da prestigiada revista New Yorker, pesquisou tudo o que havia a pesquisar, entrevistou médicos, cientistas, vítimas e militares. E neste livro notável, combina as descobertas da ciência com o relato de um dos segredos mais bem guardados da história recente dos Estados Unidos.

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Um texto elucidativo sobre os agentes infecciosos que intrigam os cientistas e são responsáveis pelas grandes pandemias da história: os vírus. Capítulo extraído do livro Contágio, publicado originalmente em 2012. Reconstituindo desde os primeiros estudos para tentar definir o que são os vírus até os desafios atuais dos cientistas para criar vacinas e combatê-los, este capítulo oferece um retrato completo desses agentes infecciosos. David Quammen diferencia os tipos de vírus, como são transmitidos e explica por que alguns são mais nocivos que outros. Este capítulo integra Contágio, livro assustadoramente antecipatório que investiga as infecções que, por meio do processo conhecido como "spillover", começam no reino animal e migram para os humanos, causando as grandes pandemias da história. " Contágio é uma obra-prima fascinante do jornalismo científico, ao estilo de uma história de detetive." — Walter Isaacson, autor de Steve Jobs "Pertinente e assustador." — New York Times

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Neste texto essencial para os tempos atuais, David Quammen demonstra como a ação humana é indissociável da história das pandemias — das causas ao controle. Parte do livro Contágio, publicado originalmente em 2012. Em Tudo depende, David Quammen demonstra como a disseminação de doenças está intimamente relacionada ao fato de que a população humana cresceu exponencialmente ao longo dos séculos. Ao consultar diversos especialistas, a conclusão é de que a próxima grande epidemia provavelmente seria causada por um vírus de RNA — como um coronavírus — e constituiria uma séria ameaça para os seres humanos. Nesse caso, o sucesso do controle dependeria de nosso comportamento — individual e coletivo. Este capítulo integra Contágio, livro assustadoramente antecipatório que investiga as infecções que, por meio do processo conhecido como "spillover", começam no reino animal e migram para os humanos, causando as grandes pandemias da história. " Contágio é uma obra-prima fascinante do jornalismo científico, ao estilo de uma história de detetive." — Walter Isaacson, autor de Steve Jobs "Pertinente e assustador." — New York Times

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Neste capítulo de Contágio, publicado originalmente em 2012, David Quammen investiga como as doenças de origem animal passam a afetar humanos — tal como o novo coronavírus — e o que podemos aprender com as principais pandemias da história. O ponto de partida deste texto eletrizante é o caso do vírus Hendra, que atingiu primeiro cavalos e depois humanos na Austrália. A partir desse episódio, Quammen examina em detalhes o processo de spillover — quando infecções que começam no reino animal migram para os humanos —, narrando a busca dos pesquisadores para encontrar a origem da doença. Para o autor, as relações que os humanos travaram com o ambiente ao longo da história são cruciais para o surgimento das zoonoses e, por isso, a sequência de epidemias que sofremos ao longo dos séculos não é mera coincidência. Este capítulo é parte de Contágio, livro assustadoramente antecipatório sobre as pandemias de origem animal, publicado em 2012. " Contágio é uma obra-prima fascinante do jornalismo científico, ao estilo de uma história de detetive." — Walter Isaacson, autor de Steve Jobs "Pertinente e assustador." — New York Times

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Uma análise excepcional sobre a SARS e as ameaças que os coronavírus representam para os humanos. Imprescindível para compreender o momento atual, o texto integra Contágio, livro surpreendentemente antecipatório publicado em 2012. Com ritmo de tirar o fôlego, David Quammen narra a história da SARS e da saga dos cientistas que correram contra o tempo para controlar a epidemia — e fizeram descobertas essenciais sobre os tipos de coronavírus. Este e-book mostra que, ao contrário da SARS, cujos pacientes são rapidamente internados já que os sintomas se manifestam na fase inicial, a próxima pandemia poderia ser assintomática e com transmissão silenciosa — exatamente o que estamos vivendo agora. Este capítulo integra Contágio, livro publicado originalmente em 2012, que investiga as infecções que, por meio do processo conhecido como "spillover", começam no reino animal e migram para os humanos, causando as grandes pandemias da história. " Contágio é uma obra-prima fascinante do jornalismo científico, ao estilo de uma história de detetive." — Walter Isaacson, autor de Steve Jobs "Pertinente e assustador." — New York Times

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A bailarina da morte

Lilia Moritz Schwarcz & Heloisa Murgel Starling [SchwarczLilia Moritz]

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Contundente retrato do Brasil durante a pandemia de gripe espanhola, A bailarina da morte investiga a doença mortal que há um século assombrou a humanidade e revela trágicas semelhanças com a covid-19.
No início do século XX, uma doença chegou ao Brasil a bordo de navios vindos da Europa. A gripe espanhola, como ficou conhecida a explosão pandêmica de uma mutação particularmente letal do vírus H1N1, matou dezenas de milhares de pessoas no país e cerca de 50 milhões no mundo inteiro.
Altamente contagiosa, a moléstia atingiu todas as regiões brasileiras. A "influenza hespanhola" paralisou a economia e desnudou a precariedade dos serviços de saúde. Disputas políticas e atitudes negacionistas de médicos e governantes potencializaram o massacre, que vitimou sobretudo os pobres. Iludida por estatísticas maquiadas e falsas curas milagrosas, a população ficou à mercê do vírus até o súbito declínio da epidemia, no começo de 1919.
A partir de um vasto acervo de fontes e imagens da época, Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling recriam o cotidiano da vida e da morte durante o reinado de terror da "gripe bailarina", uma das maiores pandemias da história.
"Um atestado visceral de que não se lembrar da própria história é condenar-se a repeti-la. Nesta história com toques de ciência e por vezes ciência em contexto histórico, temos uma oportunidade para reconhecer que já estivemos aqui antes, numa pandemia que de fato concluiu um século. Quem sabe desta vez aprendemos a lição?" — Suzana Herculano-Houzel
"Entre negação da ciência, curas milagrosas e uma doença que escancarou as desigualdades sociais da época, os historiadores do futuro, ao analisar a brilhante obra de Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling sobre a pandemia de 1918 — escrita durante a pandemia de 2020 —, indagarão, perplexos: Mas como pode ser possível que, em cem anos, não aprenderam nada?" — Natalia Pasternak
"Em um mundo já fragilizado pela Primeira Grande Guerra, a gripe espanhola colocou em evidência a vulnerabilidade humana diante de um novo vírus. Este livro narra com maestria as rotas e a velocidade de disseminação da doença, ao mesmo tempo em que acentua as dificuldades e os equívocos para seu enfrentamento no Brasil oligárquico da Primeira República. Convida-nos a refletir sobre o valor da imaginação histórica para a abordagem da crise contemporânea." — Nísia Trindade Lima

Sobre as Autoras
LILIA MORITZ SCHWARCZ é professora titular no Departamento de Antropologia da USP e Global Scholar na Universidade de Princeton. É autora de, entre outros livros, O espetáculo das raças (1993), As barbas do imperador (1998, prêmio Jabuti de Livro do Ano), Brasil: Uma biografia (com Heloisa Murgel Starling, 2015) e Lima Barreto: Triste visionário (2017, prêmio Jabuti de Biografia).
HELOISA MURGEL STARLING nasceu em 1956. Historiadora e cientista política, é professora titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É autora de, entre outros, Os senhores das gerais (1986), Lembranças do Brasil (1999), Brasil: Uma biografia (2015), com Lilia Moritz Schwarcz, e República e democracia: Impasses do Brasil contemporâneo (2017). --Este texto se refere à uma edição esgotada ou disponível no momento.

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rises, Epidemias e Fomes: Memórias da Idade Média

Fabiano Fernandes; Juliana Schmitt; Renata Cristina de Sousa Nascimento (Orgs.)

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Na era da quarta revolução industrial fantasmas e medos vividos por várias outras gerações ganharam imenso destaque na economia, na cultura, na mídia e na vida de todos. As crises acentuadas pelo surto pandêmico aprofundaram as desigualdades e amplificaram o espectro da fome, que de maneira heterogênea ainda assola as sociedades contemporâneas. No atual contexto o futuro para muitos parece incerto, e determinadas memórias da Idade Média contidas nos vários tipos de documentos podem parecer menos distantes. Por outro lado, no período medieval, homens e mulheres por meio da resiliência e da reinvenção mitigaram os males, superaram as dores e venceram momentos extremamente difíceis. Esse livro é também uma obra que fala de esperanças. Os textos aqui apresentados nasceram da perplexidade coletiva, e refletem o trabalho de pesquisadores sobre o período que se convencionou chamar de Idade Média. Cada historiador enfatiza uma perspectiva sobre determinado contexto, desse amplo espectro temporal.

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Coronavírus anuncia revolução no modo de vida que conhecemos

Domenico De Masi
(Extraído do site da Revista Fórum)

https://revistaforum.com.br/coronavirus/domenico-de-masi-afirma-que-coronavirus-revolucionara-o-modo-de-vida-no-mundo/

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A Itália de onde escrevo, um dos países mais vivazes e alegres do mundo, é hoje apenas um deserto. Cada um dos seus 60 milhões de habitantes acha que é imortal, que o vírus não o tocará, que irá matar não ele mas alguma outra pessoa. Porém, no silêncio do seu coração, cada um sabe que essa ilusão é pueril e que essa pandemia misteriosa, abstrata e tangível ao mesmo tempo, escolhe suas vítimas ao acaso, como numa roleta russa.

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Em algum tempo vamos saber se o vírus pode ser debelado ou se nos matará em massa, assim como fez no século passado a famosa gripe espanhola, que matou 1 milhão de pessoas por semana durante 25 semanas seguidas.

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Moro há 50 anos no centro de Roma, na rua mais movimentada da cidade, que leva da praça Veneza à Basílica de São Pedro.

Normalmente, essa rua está 24 horas por dia entupida de trânsito, de turistas e peregrinos. Há duas semanas, está muda e deserta. Só de vez em quando ouve-se o grito de uma sirene de ambulância e algum sem-teto passa. A cidade inteira está fantasmagórica como a Los Angeles de “Blade Runner”. Aqui, porém, desapareceram até os replicantes extraterrestres.

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Fechados os lugares públicos, as escolas, as fábricas, as lojas, as estações, os portos e os aeroportos, a Itália é agora um país separado do resto da Europa e do mundo. Cada cidade está parada, cada família trancafiada em casa. Quem sai à revelia dos pouquíssimos motivos permitidos é interceptado imediatamente pelas rondas policiais que aplicam penas bastante severas.

Os gregos antigos consideravam que, quando algo é indispensável e todavia impossível, a situação é trágica. Foram necessários 50 dias, milhares de doentes e mortos para que os italianos entendessem que a situação é, enfim, irremediavelmente trágica.

O que significa uma pandemia como essa para Roma, para a Itália, para a humanidade como um todo? Como ela age nas mentes e nos corações de todos nós que, armados com tecnologias poderosas e inteligência artificial, até poucas semanas atrás nos sentíamos os senhores do céu e da terra?

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Subitamente nos descobrimos frágeis pigmeus diante da onipotência imaterial de um vírus que, por vias misteriosas, escapou de um morcego chinês para vir matar homens e mulheres em nossas cidades.

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A sujeição a um vírus desconhecido, para o qual não há nem cura nem vacina, transformou a Itália numa enorme caserna blindada e os 60 milhões de italianos noutros tantos dóceis soldadinhos empenhados num gigantesco exercício militar no qual estão obrigados a aprender a verdade que antes ignoravam obstinadamente. O que não quer dizer que irão apreendê-la.

Numa Europa onde, até ontem, era permitida a livre circulação de pessoas, mercadorias e dinheiro, agora cada país, em vez de abraçar uma colaboração ainda mais solidária com os demais, tranca suas próprias fronteiras, iludindo-se de forma cínica e infantil que seja possível deter o vírus com barreiras aduaneiras.

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Contudo, hoje, mais do que nunca, os soberanismos parecem tentativas fantasiosas contra a globalização. Hoje, mais do que nunca, a difusão da pandemia e sua rápida volta ao mundo demonstraram que deter a globalização é como se opor à força de gravidade. Nosso planeta já é aquela “aldeia global” da qual falava McLuhan, unida por infortúnios e pela vontade de viver, precisando de uma direção unitária, capaz de coordenar a ação sinérgica de todos os povos que desejam se salvar. Nessa aldeia global, nenhum homem, nenhum país é uma ilha.

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Talvez tenhamos aprendido que o caso agora é de vida ou morte e que ninguém pode enfrentar sozinho um vírus tão ardiloso e potente. Por isso, são necessários recursos, inteligências, competências, ações e instituições coletivas. Coordenação e coesão geral. É necessária uma cabine de comando, um governo competente que tenha autoridade, uma equipe formada por um vértice político de grande inteligência e apoiada pelos máximos representantes das ciências médicas, da economia, da sociologia, da psicologia social e da comunicação.

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Talvez tenhamos aprendido que os fatos e os dados devem prevalecer sobre as opiniões, a competência reconhecida deva prevalecer sobre o simples bom senso, a prudência e a gradualidade das intervenções devem prevalecer às tomadas de decisões arrogantes e à improvisação imprudente. Por outro lado, é necessário tolerar os erros de quem possui a responsabilidade terrível de tomar decisões, líder que deve ser generosamente amparado para que sejam melhoradas.

Talvez tenhamos aprendido que, perante um vírus desconhecido, assim como diante de um problema complexo, as decisões sobre a pandemia não apenas devem ser tomadas pelas pessoas competentes mas também ser comunicadas de forma unívoca, com autoridade, prontamente, de forma abrangente e clara. Todo o alarmismo, todo o exagero, toda a subestimação é terrível porque confunde as ideias e nos faz perder um tempo precioso. Carência e excesso de informações são parâmetros nocivos. Talk shows superficiais e fake news delirantes levam ao cinismo e à desumanização.

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Talvez tenhamos aprendido que, nos países civilizados, o bem-estar é uma conquista irrenunciável. Por sorte e pela sabedoria dos nossos pais, a Constituição italiana de 1948 considera a saúde como um direito fundamental de cada ser humano. Já a reforma sanitária de 1978 instituiu um serviço nacional universal que considera a saúde não como meramente a ausência de doença, mas como o bem-estar físico, psíquico e social completo.

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Graças a esse regime de saúde, todos os residentes (e também os turistas) fruem dos cuidados médicos sem qualquer custo. Isso nos possibilitou descobrir e curar prontamente os contágios e reduzir o número de mortes.

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No país mais rico e mais poderoso do mundo, os EUA, onde o bem-estar é estupidamente mortificado, os suspeitos de Covid-19 precisam desembolsar o equivalente a 1.200 euros pelo teste. O vírus corona, ao se difundir, causaria uma verdadeira hecatombe entre 90 milhões de estadunidenses que, desprovidos de seguro-saúde, seriam cinicamente rejeitados pelos hospitais.

A propaganda neoliberal, que se alastrou sob a bandeira insana de Reagan e Thatcher, desacreditou tudo o que é público em favor do setor privado. Porém, pelo contrário, nessas semanas trágicas, a reação eficiente dos hospitais e dos funcionários públicos diante do surgimento da pandemia nos ensinou que a nossa saúde pública, da mesma forma que outras funções públicas, dispõe, muito mais do que o setor privado, de pessoas preparadas profissionalmente, motivadas e generosas até o heroísmo.

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Toda noite, às 18h, todas as janelas da Itália se escancaram e cada um canta ou toca o hino nacional para agradecer aos médicos e a todos os profissionais da saúde.

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A pandemia está nos ensinando que o pensamento de Keynes permanece precioso. Em 1980, o prêmio Nobel Robert Lucas Jr. observou: “Não é possível encontrar nenhum bom economista com menos de 40 anos que se diga ‘keynesiano’. Nas universidades, as teorias keynesianas não são levadas a sério e provocam sorrisinhos de superioridade”.

Hoje, essa crise histórica, com seus mortos e com suas tragédias, se porum lado nos leva à recessão, por outro nos lembra que, para evitar uma crise irreparável, em vez de políticas de austeridade, é preferível dar lugar aos investimentos públicos maciços e “open-ended”, ainda que isso leve ao déficit público.

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Talvez tenhamos aprendido tudo isso e várias outras coisas com aquilo que ocorreu fora do recinto doméstico, isto é, entre o governo e todo o povo do país. Entretanto, hoje, a nossa vida está segregada entre as paredes domésticas. Todos estão restritos entre as quatro paredes da própria casa: não só as famílias que vivem em harmonia e acordo, mas também os solitários, os casais em crise e os núcleos familiares em que o diálogo entre pais e filhos há muito tempo andava claudicante.

A sociedade industrial nos habituara a separar o local de trabalho do local de vida, nos fazendo passar a maior parte do nosso tempo com chefes e colegas nas empresas: os que a sociologia chama de grupos “secundários”, frios, formais, nos quais as relações são quase exclusivamente profissionais. Uma parte mínima do nosso tempo nos via reunidos em família ou com os amigos, ou seja, com grupos “primários”, calorosos, informais, envolventes.

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De repente, o descanso compulsório em casa nos obrigou de forma inédita ao isolamento total, a uma convivência forçada que para alguns parece agradável e tranquilizadora, mas que para outros é invasiva e até opressora. Os mais sortudos conseguem transformar o ócio depressivo em ócio criativo, conjugando a leitura, o estudo, o lúdico com a parcela de trabalho que é possível desempenhar em regime de “smart working”.

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Sabíamos teoricamente que essa modalidade de trabalho à distância permite aos trabalhadores uma preciosa economia de tempo, dinheiro, stress e alienação; e às empresas, evita os microconflitos, despesas na manutenção do local de trabalho e promove incremento da eficiência, recuperando de 15 a 20% da produtividade; à coletividade, evita a poluição, o entupimento de trânsito e despesas de manutenção das estradas.

Agora que 10 milhões de italianos, forçados pelo vírus, rapidamente adotaram o teletrabalho, minimizando seu sentimento de inutilidade e os danos à economia nacional, nos perguntamos por que as empresas não haviam adotado antes uma forma de organização tão eficaz e enxuta. A resposta está naquilo que os antropólogos definem como “cultural gap” —lacuna cultural— das empresas, dos sindicatos, dos chefes.

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O tempo livre que, até um mês atrás, nos parecia um luxo raro, hoje abunda. O espaço, que nas cidades vazias se dilatou, por sua vez falta nas casas. Por isso, estamos apreciando a ajuda que nos chega da internet, graças à qual, mesmo permanecendo forçosamente distantes, é possível nos reunirmos virtualmente, nos informarmos, nos confrontarmos, nos encorajarmos.

Nessa reclusão, os jovens têm a maior vantagem, graças à sua facilidade com os computadores, enquanto os velhos têm mais vantagem por serem mais independentes, mais acostumados a estar em casa, fazendo pequenos trabalhos e jogos sedentários, contentando-se com a televisão.

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Em todos se insinua o medo de que, mais cedo ou mais tarde, possa terminar o abastecimento dos mantimentos. O colapso da economia torna-se cada vez mais inevitável, já que tanto a produção como o consumo encontram-se bloqueados.

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Há alguns anos, Kennet Building, um dos pais da teoria geral dos sistemas, comentando a sociedade opulenta, afirmou: “Quem acredita na possibilidade do crescimento infinito num mundo finito ou é louco ou é economista”. E Serge Latouche acrescentou: “O drama é que agora somos todos mais ou menos economistas. Aonde estamos nos encaminhando? Diretamente contra um muro. Estamos a bordo de um bólido sem piloto, sem marcha a ré e sem freios que irá se chocar contra os limites do planeta”. Latouche propõe abandonar a sociedade de consumo com um decrescimento planificado, progressivo e sereno.

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A marcha a ré e os freios que a cultura neoliberal se recusou obstinadamente a usar agora foram desencadeados: não graças a uma revolução violenta, mas sim a um vírus invisível que um morcego soprou sobre a sociedade opulenta, obrigando-a a se repensar.

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“A Peste” (1947), obra-prima profética de Albert Camus, talvez possa nos ajudar nesse repensar. Naquele romance, a ciência era protagonista, ou seja, o médico Bernardo Rieux, ocupado até o fim, como médico e como homem, de socorrer os contagiados, enquanto “o cheiro de morte emburrecia todos os que não matava”.

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Hoje, nós também, como o nosso tão humano irmão Rieux, estamos presos num limbo entre o pesar e a esperança, no qual temos que aprender que “a peste pode vir e ir embora sem que o coração do homem seja modificado”; que “o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, que pode permanecer adormecido por décadas nos móveis e nas roupas, que espera pacientemente nos quartos, nas adegas, nas malas, nos lenços e nos papéis, que talvez chegue o dia em que, infortúnio ou lição aos homens, a peste acordará seus ratos para mandá-los morrer numa cidade feliz”.

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